sexta-feira, 3 de julho de 2015

Só por ela ser






"Quem dera pudesse todo homem compreender, ó mãe, quem dera
Ser o verão no apogeu da primavera
E só por ela ser"

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Eu poderia dizer que o quadro do Picasso me fez pensar, mas não seria verdade. O estalo veio mesmo das pessoas, do fato de ter tantas pessoas desconhecidas por perto.  Parada ali, no meio daquele salão cheio de quadros, me dei conta de que há muito tempo eu não via tanta gente, não fazia parte de uma multidãozinha. Já havia notado antes, relendo meus posts aqui no blog, que estava monotemática. Eu só falo de escola, tem um tempo em que só tenho sido professora. Nunca ousarei dizer pros outros, mas aqui posso dizer: eu gosto do lugar em que trabalho, gosto do que faço, tô muito bem. É tão confortável ter a sensação de que você tá no lugar certo.E a gente se agarra ao que é bom  porque é mais fácil . A rotina, os horários, o livros didáticos, o dia da ortografia dão uma sensação de que as coisas estão bem ajeitadas, de que posso controlar alguma coisa nessa vida. É uma ilusão, eu sei.  Mas é a ilusão que, muitas vezes, faz a gente ficar um tantinho mais forte, faz a gente deslizar pelo que pesa sem afundar tanto.

Poderia dizer que ter Jaqueline tão perto também me fez pensar, e seria uma verdade. Fazia tanto tempo que não éramos do jeito que costumamos ser: ela digitando a senha errada do vale refeição e eu lendo em voz alta demais trechos de livros bonitos na livraria. Ela esteve um ano inteiro longe, de muitas formas longe. Agora, tê-la por perto é como dar corda num relógio antigo. Posso contar pra ela minhas histórias de escola e ouvir sua risada entusiasmada. Jaqueline tem sido minha ouvinte há muito tempo. 

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Tô lendo o livro do Stephen King sobre escrita e tenho me lembrado da garotinha que eu era. Quando me perguntavam o que eu queria ser quando crescesse, eu dizia "escritora". Na verdade, na verdade, eu não queria ser qualquer escritora, queria ser igual à Agatha Christhie. Queria escrever livros que todo mundo lesse, queria fazer com que alguém sentisse o que eu sentia quando lia Agatha. Imagina você escrever um troço e uma pessoa que você nem conhece ficar louca de curiosadidade/ encantamento/ tristeza/ alegria só porque leu o que você escreveu...

Tô ainda no comecinho do livro do King...

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Comprei muitos livros nos últimos meses, mas não tenho lido nada. Daí hoje eu nem queria entrar na livraria pra não cair em tentação. Não preciso de mais livros: tenho um kobo, toda uma estante no meu antigo quarto em Nova Iguaçu, uns vinte livros no chão do quarto atual. Mas aí eu esbarrrei em dois livrinhos pequenininhos e me faltou o fôlego. De verdade.

Que coisa incrível é isso de alguém escrever um livro lá em outro país, num ano que não é o de agora, e de repente, você abre o livro numa livraria, numa noite qualquer, e perde o fôlego.

Caramba! 

É muito incrível, né?


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Os livrinhos são esses:








terça-feira, 30 de junho de 2015

A gente sabe que  virou adulta de verdade quando ganha vinho de presente de aniversário. 

Não é?

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Parece que os brigadeiros ficaram bons. Se bem que a opinião de pessoas que recebem bolinhas de chocolate numa manhã de sexta-feira não é lá muito isenta. Devo confessar que precisei de ajuda pra encontrar o ponto perfeito pra enrolar. Liguei pra mãe, pra prima, mas foi a amiga que tava aqui em casa que salvou a receita. A massa voltou pra panela, com mais manteiga e muuuuuuito mais tempo no fogo ( eu não sabia que brigadeiro requer paciência) e, no fim, deu tudo certo.

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Eu estava certa quanto ao número de festas. Houve mesmo duas na escola - uma na sexta, outra hoje. Para terem uma ideia de como foram essas comemorações de aniversário surpreendentes, imaginem várias pessoas de 11 anos unidas para um propósito, sem orientação direta de um adulto. Imaginou? Então, tipo isso aí mesmo. Uma das festas teve um bolo redondo e muito fofo, tão fofo que se esfarelava, e um outro bolo menor com cobertura de coco. Elogiei os bolos, mas expliquei que preferia comer uma coisinha salgada, então me deram 3 saquinhos de pipoca. Na festa de sexta, não teve bolo. A mãe da menina que ia fazer o bolo chegou muito tarde do trabalho, então cantamos parabéns com  pudim. Achei ótimo.

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Me pergunto o tempo todo se meus alunos estão me ouvindo de verdade, se estão aprendendo alguma coisa, porque, quase sempre, a sensação é a de que as paredes são mais atentas que eles. Daí acontecem umas coisas que podem até não ser garantia de que seu trabalho tem efeito mas ao menos aquecem o coração. Ganhei um presente delicioso na sexta-feira que se encaixa nessa categoria. Ano passado, eu dei aula prum sétimo ano agitadérrimo, uma turma cheia de alunos que adoro mas que nunca me adoraram na mesma medida. Eles me chamavam de chata, achavam que eu brigava demais, que passava dever demais, que reclamava demais. Dentre esses alunos, há um que tinha o prazer de reclamar de tudo o que eu fazia, de colocar o fone no ouvido quando eu me distraía. Pois bem, no final da aula de sexta, esse adolescente reclamão apareceu na porta da sala que ele não frequenta mais com um tabuleiro de torta salgada. Como eu sei que você não come bolo, professora, fiz uma torta salgada pra você! Meu queixo caiu! Sabe deus quando foi que eu comentei algo sobre não gostar de bolo, mas  fato é que o menino reclamão estava ouvindo. Que bom que ele ouviu, porque a torta estava um absuuuuuuurdo de gostosa. 


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Minha família também fez festa surpresa, mas nenhuma festa cheia de comida é realmente inesperada numa família na qual esquecer um aniversário é motivo pra ser deserdada. Minha prima também fez torta salgada.

Um aniversário, duas tortas salgadas, três festas: acho que venci na vida.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Quase 26


Tá um frio danado. Sei lá quantos graus, mas sei que é frio suficiente pra eu enrolar um paninho no pescoço. Junho passou por mim tão rápido que nem vi. Têm sido dias amargos e cansados. Pela primeira vez em anos, não passei junho inteiro alardeando aniversário, não pensei em festa. Meus amigos não tavam me reconhecendo. 


Mas a vidinha resolveu me dar uma trégua e a empolgação apareceu por aqui ontem. Na verdade, meus alunos me deram deram empolgação de presente. Eles não sabem que eu sei que vai haver uma festa ( acho que são duas). São as crianças mais incapazes de guardar segredo que conheço; toda hora soltam uma dica. Hoje uma menina me perguntou se eu ficaria feliz se ~de repente~ a mãe de um aluno fizesse um bolo pra mim. Eu apenas ri. Não tive coragem de dizer pra ela que não como bolo. Acho que amanhã  terei de sacrificar meu paladar em nome do bem-estar das crianças.

A energia da preparação da surpresa me alcançou. Comecei uma contagem regressiva tardia. Tô aqui tentando descobrir como se faz brigadeiro. A festa é surpresa, mas não custa colaborar, né? Dizem que qualquer um faz brigadeiro. Não sou qualquer um. Nunca fiz brigadeiro na vida. Torçam por mim. Mando notícias em breve.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

domingo, 31 de maio de 2015

Minha rainha, meu tesouro

A vontade de escrever esse post me surgiu na noite do dia das mães, mas só agora começo a escrevê-lo. O nome disso é preguiça, vocês sabem. Pelo menos, ainda é maio. Não tenho nada contra o dia da mães, aliás comemoro todos os anos. Minha família se reunia lá em casa, sempre tinha churrasco, às vezes eu dava presente pra minha mãe. Esse ano, minha mãe teve de trabalhar, então a gente foi jantar no sábado mesmo, e eu passei o domingo sozinha, com o notebook na mão, vendo as declarações de amor que as pessoas fizeram para suas mães. O Facebook no dia das mães me deixa meio deprimida. Longe, muito longe de mim, julgar o que as pessoas escrevem no Facebook. Depois que anunciei a morte e o enterro da minha vó por lá, entendi  porque tanta gente escreve coisas mais ou menos íntimas naquela rede social. Às vezes, a gente só quer  um jeito mais fácil de todo mundo saber. Eu tô aqui num blog diarinho falando coisinhas da minha vida. As pessoas no Facebook só querem falar das suas vidas também. Acho que é simples assim. Mas, vamos ao ponto, por que é que tu falou que fica meio deprimida com o facebook no dia das mães? Vou explicar.

Você abre a rede azul no dia das mães e estão lá umas fotos lindas, uns textos ainda mais lindos, muitos "eu te amo". Eu mal tenho fotos com a minha mãe porque ela não se acha fotogênica. Esse ano, decidi colocar uma foto no perfil e precisei recorrer a uma do início de 2014, porque as poucas mais recentes não eram boas de se apreciar. Tá bem, esqueçamos as fotos? Eu poderia escrever um textinho bonitinho. De vez em quando, eu escrevo umas coisinhas agradáveis, não seria muito esforço escrever  coisinhas agradáveis pra minha mãe. Seria. Quer dizer. Vou explicar: não sei dizer sobre a minha mãe as coisas que são ditas sobre as mães. Minha mãe não é minha melhor amiga, não é uma rainha, nem é um modelo a ser seguido, não é a pessoa mais legal. Passei muitos anos da minha vida sentindo raiva pelos nãos que ela me disse, falei mal dela pras minhas amigas, não sei lidar com muitos aspectos  da sua personalidade. Minha mãe me irrita bastante, reclama bastante, faz o único feijão que eu não consigo comer. Somos muito mais felizes agora que moramos em casas diferentes. Pode perguntar pra ela. 


E não, eu não odeio minha mãe. Não,  eu não a quero  bem  longe mim. Muito pelo contrário. Acho que a gente se dá muito bem, especialmente agora que sou adulta e sei olhar pra ela como os adultos olham uns pros outros. Minha mãe me criou do jeito que sabia, do jeito que foi possível, e eu tô aqui viva, mas não vejo na história dela nada que a aproxime do heroísmo, da linhagem dos guerreiros. Sobre minha mãe, posso dizer coisas ótimas que não têm necessariamente a ver com fato de que ela me pariu e me criou. Ela conserta chuveiros, nunca faz fofoca nem fala mal dos outros, tem muita empatia, não foge das responsabilidades, tem uma ótima percepção das pessoas. Só por conviver com ela, aprendi que livros são um excelente modo de usar o tempo, que posso ir pra onde  quiser e como  quiser, que há coisas que a gente precisa fazer e ponto. Minha mãe é uma pessoa bacana. Muito. E, provavelmente, já era bem bacana antes de eu existir e vai continuar sendo se eu morrer agora. Entende? Não acho que ser minha mãe a torna , incrível, uma pessoa da realeza.

Levei mais de 25 anos pra aprender a viajar com a minha mãe de bom grado, acho mesmo que ela não sai bem nas fotos, raramente dou abraços apertados nela. Escrever texto fofo no facebook no dia das mães seria uma falsidade, mas às vezes me pergunto se minha mãe não espera as declarações públicas, os presente convencionais. Quer dizer. Eu acho que minha mãe não espera nada, não, e eu não sou assim tão preocupada em ser uma filha que escreve textos fofos. Mas o dia das mães no Facebook me faz sentir como aquela menininha que na festa das mães na escola não seguia direito a coreografia que a turma ensaiava. Se bem que eu nem era essa garotinha. Eu era  a menina que mais dançava e se empolgava, mas meio que em vão porque minha mãe trabalhava e as escolas da década de 90 ignoravam as mães que  trabalhavam. Enfim,  mas essa é uma outra história.