quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Cabelo, cabelo, cabelo

Contei pra vocês que cortei o cabelo? Cortei muito, estou com o cabelo mais curto que já tive e totalmente natural. Venho cortando  desde fevereiro o ano passado. Da primeira vez, quis mudar de cara, acabei gostando do cabelo curto e vi que era possível viver sem relaxamento. Passei todo esse tempo com parte do cabelo natural e parte com relaxamento - situação trabalhosíssima, uma vez que a parte com química estava detonada. Ao longo desse tempo, fui querendo deixar  natural, mas o medo era maior que essa vontade. Passei quase toda minha vida com o cabelo preso ou com relaxamento; nenhuma dessas práticas me deixava muito feliz, mas o fato de não ter ideia de como cuidar  me mantinha no ciclo vicioso. Tenho o cabelo fino, qualquer creme de pentear deixa ensebado, qualquer máscara deixa pesado. Só que, por outro lado, precisava  dos produtos " ensebantes" pra " domar" o cabelo com química. Faz uns 3 meses, porém, que descobri esse mundo de blogs e canais do youtube sobre cabelos crespos e cacheados e estou no paraíso. Achei um monte de gente que tem o cabelo como o meu, aprendi umas técnicas de finalização,  rotinas de lavagem e tomei coragem pra meter a tesoura.

Cortar nunca é um processo fácil. Ainda mais se você vai lidar com um cabelo que  não conhece direito. Tive mesmo que me encher de coragem pra sentar na cadeira da cabeleireira. Como meu cabelo já estava curto e eu queria deixar só o natural, o resultado foi um corte curtiiiiiinho mesmo. Foi estranho me ver com tão pouco cabelo na cabeça, mas foi um pouco libertador também. As primeiras reações positivas vieram das cabeleireiras do salão que não paravam de dizer que meu cabelo era lindo. Depois vieram as opiniões positivas dos amigos e parentes. Mas pra falar a verdade o que me deixou mais segura mesmo foi a reação dos meus alunos. Se adolescentes dizem que você tá bonita, é porque você tá bonita! 

Agora tô vivendo de experimentar. O creme de pentear que eu usava antes  não dá o mesmo efeito agora. Adaptei umas receitinhas do youtube pra realidade do meu cabelo e do meu dia a dia. Tô pensando em trocar a rotina de uso reduzido de xampu - o Low Poo - para o método que não utiliza xampu nenhum - o No Poo. Vamos ver! Vamos ver!  Um passo de cada vez.


Se alguém gostar de vídeos sobre cabelo, tem muitos canais legais no Youtube. Eu gosto muito dessas 4 meninas:

A Mari é didática, fofa e dá umas dicas legais. Esse vídeo dela sobre No e Low Poo é muito bom pra conhecer essas técnicas.


A Maraisa é uma blogueira conhecida. Adoro o jeito engraçado e desencanado dela. O canal dela não é focado só em cabelo, mas os meus vídeos favoritos são aqueles em que ela mostra pra gente como tá sendo usar o cabelo natural.


Descobri o canal da Abigail ontem e tô apaixonada. Ela é muito engraçada, um tanto ácida e diz coisas muito bacanas.


Tem também a Brenda, que eu acho linda e articulada.



Na prática, eu não faço quase nada dos que elas indicam, mas o que vale é a  intenção. hihihi

domingo, 17 de agosto de 2014

Houve um tempo em que tive medo de você não gostar de mim. É que sempre tenho esse medo mesmo- com qualquer pessoa-, e seria uma tragédia se você não gostasse  de mim pra sempre. Então chegou esse tempo de agora em que você corre pra me abraçar quando eu chego, em que me oferece jujubas, em que me convida pra ver Peppa, em que diz que ama a minha gata.  A minha recíproca vem em forma desse encantamento que se expande dentro de mim quando você diz " não gosto de beijo, hein!". Penso em você e minha garganta aperta. Hoje te vi deitado numa piscina de bolinhas, deleitado nesse prazer que deve ser mergulhar num montão de esferinhas coloridas , e quis saber todas as palavras bonitas pra contar direitinho o que senti. 


Meu amor por você é mansinho e quente.


sexta-feira, 8 de agosto de 2014

[i carry your heart with me(i carry it in]

eu levo o seu coração comigo
(e. e. cummings)

eu levo o seu coração comigo (eu o levo no
meu coração) eu nunca estou sem ele (a qualquer lugar
que eu vá, meu bem, e o que que quer que seja feito
por mim somente é o que você faria, minha querida)
       tenho medo
que a minha sina (pois você é a minha sina, minha doçura) eu não quero
nenhum mundo (pois bonita você é meu mundo, minha verdade)
e é você que é o que quer que seja o que a lua signifique
e você é qualquer coisa que um sol vai sempre cantar

aqui está o mais profundo segredo que ninguém sabe
(aqui é a raiz da raiz e o botão do botão
e o céu do céu de uma árvore chamada vida, que cresce
mais alto do que a alma possa esperar ou a mente possa esconder)
e isso é a maravilha que está mantendo as estrelas distantes

eu levo o seu coração (eu o levo no meu coração)


(Tradução: Regina Werneck)


O original pode ser lido aqui.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014


Eita blog empoeirado esse!

Sempre quero escrever, aí chego em casa, ligo o computador, abro o blogger e ... Cri!Cri!Cri!

Queria contar do meu cabelo novo, das mudanças aqui em casa, dos alunos, das decisões, da saudade, mas a preguiça é maior que eu. 

Repetindo sempre: nenhuma preguiça é maior que a minha.


terça-feira, 22 de julho de 2014

Eu devia ter uns 16 anos. Estava indo pela primeira vez, sozinha, pra um encontro religioso. Tava cheia de expectativas boas, toda animada, certa de que ia conhecer um monte de gente, de que ia fazer amigos pra vida toda. Na rodoviária, esperando o ônibus, esbarrei num menino que também ia pro encontro. Puxei papo, toda simpática, falei que ia ser tudo lindo e maravilhoso, e o menino, com uma arrogância bem adolescente, me chamou de tonta e disse que o pessoal do lugar pra onde a gente ia era conhecido por não dar confiança pra gente nova. O menino foi um balde de água fria, e eu fiquei putíssima. Passei um sermão nele. Não tenho ideia do que falei, mas sei que falei um monte. Eu era uma menina boa em sermões. 

Não lembro bem do que aconteceu depois dessa conversa afável e salutar na rodoviária, mas a sementinha da insegurança se instalou, claro, no meu coração juvenil.  E pior: o menino tinha uma certa dose de razão. Meus dois primeiros dias  no evento foram um inferno. Ninguém falava comigo. Todo mundo se conhecia dos anos anteriores, os grupos tavam formados; poucas vezes me senti tão deslocada na vida. Vi o menino várias vezes ao longo desses dois dias, mas ele fazia questão de me ignorar. Houve uma vez apenas em que ele chegou perto de mim, só pra dizer: eu não tinha razão? Olha, que raiva daquele menino. Eu devia ter cortado pescoço dele ali mesmo, mas  meu espírito cristão conteve meus instintos assassinos.

Os dois primeiros dias foram mesmo terríveis. Eu senti frio, eu me senti sozinha, eu quis voltar pra casa. Aí no terceiro dia, conheci uma menina legal, a Fernanda. Ela era mais velha que eu, tava na faculdade, fazia serviço social, se bem me lembro.  Conheci também a Kelly, a Laura - conheci outras pessoas cujos nomes não lembro mais. No último dia, já não queria ir embora. No último dia, na última atividade do evento, todo mundo se abraçando, todo mundo se despedindo, o menino veio falar comigo. Eu já não tava com ódio dele, então falei com ele também. A gente se abraçou, e ele me disse , no meio do abraço, que eu era uma pessoa muito especial e que eu tinha razão no que tinha dito.

Eu tinha razão,viu ,gente! Só não tenho a menor ideia do que eu disse pra ele na rodoviária.

Nem  lembro o nome do menino. A gente nunca mais se viu. Também nunca mais soube da Fernanda. Acho que nem sei mais que caras eles tinham. Sei lá por que me lembrei dessa história hoje. 

Só sei que é bom ter razão.

hihihi

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Dar aula no sexto ano é ...

... entrar na sala e encontrar duas meninas segurando bolas de aniversário.

- Gente, tem festa hoje?
Aí uma delas vira a bola e vejo nela um rosto desenhado com canetinha.
- É o meu filho, professora! Ele veio aprender português hoje.

E passaram a aula inteira com essas bolas, até que veio uma colega e estourou.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Vou pelo caminho ouvindo Chico e Carminho cantando Carolina. Ouço a mesma música mil vezes até cruzar o portão da escola.  Chego a sentir um pontada na barriga quando a voz do Chico me chega nos ouvidos. Outro dia, chorei no ônibus, o rapaz do lado me olhou preocupado, sorri pra tranquilizá-lo. Não tem como explicar que não é tristeza, é melancolia. Não estou triste, moço, é só que a beleza tá doendo em mim. Só as personagens de Clarice dizem coisas assim.

Depois de tanto tempo, meu dias entraram numa rotina. Por esses dias, só por esses dias, sei como é controlar um universo. Deito no chão de piso frio da sala e presto atenção no silêncio. Até esqueço que tenho uma voz. Solidão não me apavora; a solidão me traz melancolia . Então me torno essa pessoa que fecha os olhos pra sentir o peso do sol nos cílios. O raios de sol no inverno são macios e me fazem sorrir enquanto atravesso a passarela do metrô.